Atualizado a 4 de Agosto de 2026
As estrias na gravidez são das alterações da pele mais frequentes — e também das que mais dúvidas e frustração geram. Aparecem na barriga, nas mamas, nas ancas e nas coxas, sobretudo no último trimestre, e há uma quantidade enorme de produtos que prometem evitá-las. Vale a pena começar por uma verdade desconfortável: nenhum creme garante que não vai ter estrias. O que existe são cuidados que ajudam a pele e reduzem o desconforto — e é sobre isso que este guia é honesto.
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Resumo rápido
- São muito comuns — A maioria das grávidas desenvolve estrias em algum grau. Não é falta de cuidado.
- A genética manda — Se a sua mãe teve, a probabilidade é maior. É o fator com mais peso.
- Nenhum creme garante prevenção — A evidência científica é limitada e nenhum produto pode prometer evitá-las.
- Hidratar ajuda no conforto — Reduz sobretudo a secura e a comichão, que são queixas reais.
- Evite retinoides — Contraindicados na gravidez. Leia sempre os rótulos.
- Esbatem com o tempo — Passam de avermelhadas a esbranquiçadas e tornam-se bem menos visíveis.
O que são e porque aparecem
As estrias — em termos médicos, striae gravidarum — são cicatrizes que se formam quando a pele é distendida mais depressa do que consegue acompanhar. As fibras de colagénio e elastina da derme rompem-se e, no seu lugar, forma-se tecido cicatricial.
Na gravidez juntam-se dois fatores: o estiramento mecânico rápido da pele, sobretudo no terceiro trimestre, e as alterações hormonais, que modificam a elasticidade e a capacidade de reparação da pele. Por isso surgem tipicamente na barriga, mas também nas mamas, ancas, coxas e nádegas.
No início apresentam-se avermelhadas ou arroxeadas (fase rubra), por vezes com comichão. Com o tempo, tornam-se esbranquiçadas ou prateadas e ligeiramente descaídas (fase alba) — bastante menos visíveis, embora não desapareçam por completo.
Quem tem maior probabilidade
- História familiar — É o fator mais determinante. Se a mãe ou irmãs tiveram, a probabilidade é claramente maior.
- Aumento de peso rápido — Um aumento muito acelerado dá menos tempo à pele para se adaptar.
- Idade materna mais jovem — Vários estudos associam a idade mais jovem a maior incidência.
- Gravidez múltipla ou bebé grande — Maior distensão abdominal.
- Estrias anteriores — Quem já teve na adolescência tem mais probabilidade de voltar a ter.
Repare que quase todos estes fatores estão fora do seu controlo. É por isso que atribuir as estrias a “não ter passado creme suficiente” é injusto — e simplesmente não corresponde ao que se sabe.
O que diz a evidência sobre os cremes
Esta é a parte em que a publicidade e a ciência mais divergem. As revisões dos estudos disponíveis concluem, de forma consistente, que não há evidência forte de que qualquer produto tópico previna as estrias na gravidez. Alguns ingredientes — como a Centella asiatica ou o ácido hialurónico — mostraram resultados modestos em estudos pequenos, mas os dados são limitados e nem sempre consistentes.
Isto não significa que hidratar não sirva para nada. Significa apenas que o objetivo realista é outro: uma pele bem hidratada fica mais confortável, com menos secura, menos repuxamento e menos comichão — queixas muito frequentes no terceiro trimestre e que têm impacto real no dia a dia. Além disso, o gesto da massagem diária é agradável e ajuda muitas mulheres a lidar melhor com as mudanças do corpo.
Atenção: este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento do médico, do obstetra ou do dermatologista, que devem validar qualquer produto ou tratamento durante a gravidez e a amamentação. Em caso de dúvida, contacte a linha SNS 24 (808 24 24 24).
Uma rotina simples de cuidados
Se quer cuidar da pele nesta fase, o essencial cabe em poucos passos e não precisa de ser caro:
- Duas vezes por dia — De manhã e depois do banho, quando a pele ainda está ligeiramente húmida e absorve melhor.
- Massagem circular — Alguns minutos em movimentos suaves na barriga, ancas, coxas e mamas.
- Fórmulas simples — Manteigas e óleos vegetais, com ou sem perfume conforme tolerar. Na gravidez o olfato fica mais sensível.
- Hidratação e alimentação — Beber água ao longo do dia e uma alimentação variada apoiam a pele por dentro.
- Aumento de peso gradual — Seguir as indicações de aumento de peso do seu médico é, provavelmente, o fator modificável mais relevante.
- Comece cedo — Muitas mulheres iniciam no segundo trimestre, antes do estiramento maior.
O que deve evitar
O ponto mais importante de todo este artigo: os retinoides estão contraindicados na gravidez. Procure no rótulo termos como retinol, retinaldeído, tretinoína, adapaleno ou “vitamina A” — se aparecerem, não use sem confirmar com o médico. Muitos cremes antiestrias vendidos para o público geral contêm derivados de vitamina A precisamente porque atuam sobre a renovação da pele.
Evite também tratamentos estéticos agressivos durante a gravidez — laser, microagulhamento, peelings químicos profundos —, que devem ficar para depois e ser avaliados por um dermatologista. E desconfie de qualquer produto que garanta a prevenção de estrias: essa promessa não é sustentável face à evidência disponível.
Depois do parto
As estrias mudam de aspeto ao longo dos meses seguintes: a cor avermelhada esbate-se progressivamente e passam a ser bastante menos evidentes, ainda que permaneçam. Este processo natural leva tempo — frequentemente entre seis e doze meses ou mais.
Se depois deste período quiser melhorar o aspeto das estrias mais marcadas, existem tratamentos com evidência razoável — como determinados lasers, o microagulhamento ou a tretinoína tópica — que devem ser avaliados por um dermatologista e apenas quando já não estiver grávida nem a amamentar, consoante a indicação clínica.
Erros comuns a evitar
Culpar-se por ter estrias, quando a genética é o fator dominante; comprar o produto mais caro à espera de uma garantia que ninguém pode dar; usar cremes com retinol sem verificar o rótulo; aplicar apenas na barriga e esquecer mamas, ancas e coxas; começar só no oitavo mês; e recorrer a tratamentos estéticos durante a gravidez sem avaliação médica.
Acima de tudo: as estrias são uma marca comum e normal de uma gravidez. Cuidar da pele é uma boa ideia pelo conforto que traz — não como seguro contra algo que, em boa parte, não depende de si.
Perguntas frequentes
É possível prevenir as estrias na gravidez?
Quando começam a aparecer as estrias na gravidez?
Qual o melhor creme antiestrias para a gravidez?
Posso usar cremes com retinol na gravidez?
As estrias desaparecem depois do parto?
Que tratamentos existem para as estrias depois da gravidez?
Porque é que umas mulheres têm estrias e outras não?
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